domingo, 23 de abril de 2017

Crítica do filme: 'Power Rangers (2017)'

0 Postagens cinéfilas
A amizade supõe a confiança, união de pensamentos e esperança. Dirigido pelo cineasta sul africano Dean Israelite, o mesmo de Projeto Almanaque (2015), Power Rangers (2017) finalmente chega as telonas para delírio de uma legião de fãs que acompanharam as aventuras de Zordon e dos Rangers ao longo da saudosa década de 90. Com um roteiro que foca em toda a mitologia da série, sem esquecer das cenas de ação e toda a atmosfera do seriado, o filme se torna uma grata surpresa quando pensamos em cinema. Mesmo sem terem poderes especiais, parece que os roteiristas também morfaram, conseguindo entregar um trabalho muito interessante que deve agregar mais público a imensa legião de fãs desses super heróis.

Na trama, conhecemos alguns estudantes, de personalidades totalmente diferentes que estão juntos na detenção de sua escola (uma espécie de punição por indisciplina). Aos poucos, alguns deles vão se conectando, o que os levam a uma caverna onde encontram algumas moedas com cores diversas que possuem poderes extraordinários os transformando em Power Rangers. Para ajuda-los nessa missão primária de conhecimento sobre os poderes que agora possuem, vão contar com a ajuda de Zordon (Bryan Cranston) e Alpha, principalmente quando a terrível Rita Repulsa (Elisabeth Banks), uma ex-Rangers que foi para o lado mal da força, quer destruir a terra.

O roteiro navega no universo da história com muito eficiência, adotando paralelos nítidos com o clássico de John Hugues, Clube dos Cinco. A mitologia desse famoso seriado da década de 90 ganha muita força nas mãos dos excelentes roteiristas Ashley Miller e Zack Stentz, os mesmos que escreveram o ótimo de X-Men: Primeira Classe (2011). Assim, vamos descobrindo toda a lógica dos Powers Rangers, principalmente a saga de Zordon e seu espírito de proteger a humanidade do mal em todas as épocas. As lições que os Rangers recebem são inúmeras aproximando a história do público, muito porque nessa fase de descobrimento dos poderes os mesmos são muito vulneráveis, o saber vencer e o poder da amizade para não ser derrotada são paralelos que vemos na vida real.


Uma das vantagens desse bom filme é que os personagens conseguem se dividir e juntos contar essa bela história. Não existe um protagonista, o roteiro fica com esse posto e assim vamos nos divertindo em cada sequência, principalmente o público que foi fã do seriado (que passava na tv aberta anos atrás) com várias referências legais para eles. É muito legal poder ouvir ‘Go Go Power Rangers’ numa sala de cinema. Não deixem de conferir!


Crítica do filme: 'O Poderoso Chefinho'

0 Postagens cinéfilas
A maneira como tratamos nossos pais e irmãos é a forma como iremos tratar o mundo inteiro. Falando sobre o amor de irmãos e muito também sobre as rotinas/rituais familiares, o longa metragem, já sucesso de bilheteria no mundo a fora, O Poderoso Chefinho, é mais um drama/aventura/comédia que utiliza técnicas de animação que possui um resultado satisfatório na telona. Com muitos momentos cômicos, explorando bastante o imaginário da criançada e com muitas lições espalhadas ao longo dos 100 minutos de projeção, O Poderoso Chefinho é uma grande aula de como fazer um filme agradável para públicos de todas as idades.

Na trama, conhecemos um jovenzinho que é amado e idolatrado por sua mamãe e seu papai. Filho único, tem praticamente o universo todo pra si além de adorar se imaginar em diversas histórias de aventura. Tudo isso muda bastante quando chega um bebê, toda a atenção que o jovenzinho tinha é transportada automaticamente para o bebê. Só que esse não é um bebê comum, ele fala, usa terno e carrega uma maletinha misteriosa. Após inúmeras situações, o jovenzinho e o bebê acabam se unindo para combater um CEO de uma empresa que deseja acabar com os sentimentos de amor no mundo.

O arco inicial é muito bem construído, conhecemos rapidamente a rotina da família do jovenzinho e nos identificamos com muitas sequências. Com a chegada do bebê falante, já no arco dois, a trama fica um pouco confusa até a explicação bastante criativa de vários porquês que surgem, como a principal delas: porque o bebê fala? A partir do terceiro arco, já rumo a sua conclusão, percebemos um amadurecimento da história com explicações um pouco mais lógicas e com foco total nos sentimentos e emoções que uma família pode provocar.


O Poderoso Chefinho estreou no circuito nacional faz algumas semanas e as sessões continuam cheias. Não é um filme inesquecível mas é um bom projeto que fala com muita autoridade sobre o sentimento pioneiro em nossa vida, o mais puro que podemos sentir: o amor pela nossa família.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

4a Mostra Joias do Cinema Francês começa a partir da próxima quinta-feira (13.04) No Cine Joia Copacabana

0 Postagens cinéfilas


4a Mostra Joias do Cinema Francês começa a partir da próxima quinta-feira (13.04) No Cine Joia Copacabana.

Seleção Feita pela Equipe de programação do Cine Joia

O Cine Joia Copacabana, em  parceria com o Consulado da Embaixada da França no Brasil, começa a exibir a partir dessa próxima quinta-feira (13.04) sete filmes franceses inéditos em mais uma edição da Mostra Joias do Cinema Francês. Nessa 4a edição, novamente com curadoria da equipe de Programação do Cine Joia, ganhadora de prêmios e reconhecida pelo público cinéfilo como uma das melhores da cidade, o projeto volta a trazer filmes franceses inéditos no circuito carioca e que nunca chegaram ao circuito exibidor brasileiro. A Equipe do Joia acredita que essa chance de exibição irá abrir portas para o público conhecer ainda mais o belo cinema feito na França.

Entre os destaques desse ano, o espetacular filme ‘No olho do Furacão’, de Sékou Traoré; a excelente comédia 'Não é o Meu Tipo’ de Lucas Belvoux; e uma coletânea de entrevistas com críticos e filósofos contemporâneos numa tentativa de construir novas formas de pensar sobre a luta contra os mecanismos de dominação da sociedade a partir do legado de Foucault, o documentário ‘Foucault Contra si Mesmo’ de François Caillat.


Programação da 4a Mostra Joias do Cinema Francês:


Não é o meu Tipo (2013) - 106'

Direção: Lucas Belvaux

Gênero: Comédia Romântica

Classificação: 16 anos

Sinopse: Clément, jovem professor de filosofia parisiense, é transferido para o interior por um ano. Longe da agitada Paris, ele não sabe como ocupar seu tempo livre, até encontrar Jennifer, uma humilde cabeleireira, por quem se interessa. Se para ele o mundo é regido por Kant e Proust, para ela a vida é uma grande novela regada a karaokes e noitadas. Um amor improvável floresce.


Não Sou um Canalha (2016) - 105'

Gênero: Drama 

Direção: Emmanuel Finkiel

Classificação: 16 anos

Sinopse: Eddy (Nicolas Duvauchelle) é assaltado e acaba sendo ferido. Com isso ele ganha a simpatia e atenção da família que estava afastado de novo. Já a vida de Ahmed (Driss Ramdi) começa a desmoronar, quando ele é acusado de um crime que não cometeu. Quando o caso de Ahmed começa a desvendado, Eddy precisa começar a se preocupar.


IRREPREENSÍVEL (IRRÉPROCHABLE -2015) - 100'

Direção: Sébastien Marnier

Gênero: Drama

Sinopse: Depois de muitos anos morando em Paris, a agente imobiliária Constance Beauvau (Marina Foïs) perde o emprego e não tem dinheiro para manter seu apartamento. A solução é voltar para a pequena cidade onde cresceu, e se confrontar aos traumas da juventude. Ela volta a conversar com um antigo interesse amoroso e visita o patrão da agência onde trabalhava. Mas o chefe prefere outra candidata ao cargo disponível. Inconformada, Constance decide fazer o que for necessário para reconquistar a vida que tinha.


A Escola de Babel (2013) - 95'

Direção: Julie Bertuccelli

Classificação: 14 anos

Sinopse: Quando um grupo de imigrantes chega à França buscando recomeçar, seus filhos precisam se adaptar à nova vida. Eles não falam francês e por isso passam a estudar em uma classe iniciante para aprender a língua. Nas aulas esses jovens com idades entre 11 e 15 anos conversam sobre a relações com suas famílias e sobre o futuro, além de suas diferenças.

FOUCAULT CONTRA SI MESMO (2013) - 59'

Direção: François Caillat

Classificação: 16 anos

Gênero: Documentário

Sinopse: Uma coletânea de entrevistas com críticos e filósofos contemporâneos numa tentativa de construir novas formas de pensar sobre a luta contra os mecanismos de dominação da sociedade a partir do legado de Foucault.



Tristesse Club (2013) - 91'

Direção: Vincent Mariette

Gênero: Comédia Dramática

Classificação: 16 anos


Sinopse: Se você gosta de caça ao tesouro, Porsches antigos, irmãs que não são irmãs, pais que não estão realmente mortos, lagos e seus segredos: bem-vindo ao clube.




O Olho do Furacão (2015) - 100'

Direção: Sékou Traoré

Classificação: 16 anos

Gênero: Drama

Emma é uma defensora pública que vai representar um rebelde acusado de crime de guerra. Para o sistema, ele não passa de uma besta feroz, mas, aos poucos, ele revela seu passado.





Serviço:

Local: Cine Joia Copacabana
Endereço: Avenida Nossa Senhora de Copacabana 680 - Subsolo
Telefone: (21) 22365624
Horários: Consultar programação da mostra
Ingressos: R$ 8 Reais 
Lotação: 87 lugares
Bilheteria: de Segunda a Domingo, das 12:30h às 22h

E-mail e telefone da Equipe de Programação do Cine Joia Copacabana:
(21) 22365624 - raphaelcamacho@vilacine.com

Crítica do filme: 'O Mundo Fora do Lugar'

0 Postagens cinéfilas
A vida segue acontecendo nos detalhes, nas surpresas e nas alterações de curso que não são determinadas por você.  Escrito e dirigido pela excelente cineasta alemã Margarethe von Trotta (do ótimo Hannah Arendt - Ideias Que Chocaram o Mundo), O Mundo Fora do Lugar fala sobre os imprevistos e surpresas do destino quando segredos de uma família são revelados a partir de um rosto parecido de alguém que já se foi. O roteiro navega em uma história turbulenta, repleta de carga dramática e com duas atuações  impressionantes (Katja Riemann e Barbara Sukowa).

Na trama, conhecemos a doce Sophie (Katja Riemann) uma mulher forte e determinada que busca a carreira de cantora na cidade onde mora na Alemanha, além e trabalhar como mestre de cerimônias de casamentos. Certo dia, após receber uma ligação de seu pai, acaba descobrindo uma estranha história e a possibilidade de uma cantora de ópera norte americana Caterina Fabiani (Barbara Sukowa) ter algum parentesco com ela pela tamanha semelhança de Caterina com sua mãe já falecida. Assim, Sophie embarca em uma viagem para ir de encontro com as verdades de seu passado.

As canções  que somos testemunhas são interpretadas com emoção, as duas atrizes, carregadas em seus dramas singulares conseguem passar para o público todo o sofrimento dessa surpreendente relação que envolve surpresas e modificações na maneira de enxergar o passado de suas famílias.  O Mundo Fora do Lugar é o lírico encontrando belas formas de se predestinar na telona.

As verdades precisam ser ditas. Em busca de respostas para lacunas não preenchidas,  a protagonista se vê mais envolvida com essa investigação do que imaginava. Sophie é inteligente, chama o pai pelo nome dele, não consegue se estabelecer em uma relação amorosa por muito tempo. Muitas dessas características se modificam, junto com sua maneira de enxergar a todos que estão ao seu redor.

Mesmo com uma conclusão rasteira, que não chega a profundidade criada pelo clímax de seu roteio, O Mundo Fora do Lugar é um filme que chama a atenção pela delicadeza de uma nova relação e pelas surpreendentes descobertas que a vida pode nos trazer.


terça-feira, 28 de março de 2017

Crítica do filme: 'A Glória e a Graça'

0 Postagens cinéfilas
Melhor do que todos os presentes por baixo da árvore de natal é a presença de uma família feliz. Dirigido pelo experiente Flávio Ramos Tambellini, que volta a direção de um longa após seis anos, seu último trabalho foi o delicado Malu de Bicicleta (2010), A Glória e a Graça, entre muitas coisas, é um resgate na relação de dois irmãos que por circunstâncias do destino acabaram se separando durante boa parte de suas vidas. O entrosamento em cena de Carolina Ferraz e Sandra Corveloni, protagonistas do filme, é fundamental para que os diálogos ganhem contornos emocionantes e de aproximação com o público. Grande atuação das duas atrizes.

Na trama, acompanhamos a trajetória de Graça (Sandra Corveloni) uma mãe solteira que tem dois filhos e acaba descobrindo em uma eventual visita ao médico que possui um aneurisma inoperável na cabeça. Sem ter muito para onde fugir, nem com quem contar, Graça resolve entrar em contato com seu irmão que não vê a muitos anos. Chegando no encontro, Graça descobre que seu irmão agora virou travesti, e agora chama-se Gloria (Carolina Ferraz), dona de restaurante, poliglota, bem resolvida e bem sucedida. Após o surpreendente encontro com o irmão, Graça embarcará em uma viagem de reaproximação com seu único parente vivo.

O filme tinha tudo para cair num senso melo dramático mas se veste com uma maturidade impressionante para falar com seriedade de subtramas complicadas que vão do campo jurídico até o campo emocional. A relação da tia com os filhos de Graça é adorável, aprendizagem e muito experiência em uma troca para lá de emocionante, em quebra de tabus que ficam como lições para toda a vida. As surpresas que vemos pelo caminho, principalmente a causa da separação das duas irmãs, preenchem lacunas importantes para entendermos ao longo dos quase 90 minutos de projeção a formação da personalidade dos personagens. Os embates, em diálogos recheados de emoção, entre as duas protagonistas é intenso e conseguem ir além de muito mais que uma superfície, há uma profundidade aliada com humanidade.


A Glória e a Graça estreia nessa próxima quinta-feira (30) no circuito. É um drama comovente com atuações que são a cereja do bolo. Prestigie o cinema brasileiro, vá ao cinema ver esse belo trabalho.


domingo, 26 de março de 2017

Crítica do filme: 'O Dia do Atentado'

0 Postagens cinéfilas
A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. Dirigido pelo nova iorquino Peter Berg, baseado em relatos de policiais que presenciaram o fato  e também em uma reportagem investigativa de um famoso programa da televisão norte americana, O Dia do Atentado mostra em sua grande parte as horas seguintes ao terrível atentado ocorrido na linha de chegada da Maratona de Boston no ano dia 2013. Focando em policiais, autoridades políticas e as reações dos moradores de Boston, ao longo de 130 minutos de projeção, o filme contém alguns registros reais que foram feitos nesse dia triste para a humanidade.

Na trama, conhecemos o policial Tommy Saunders (Mark Wahlberg) que sofre com um problema no joelho e em breve irá conseguir reduzir sua jornada de trabalho. Tommy fica encarregado da segurança de uma parte da maratona mais antiga do mundo, a de Boston, cidade onde vive com sua esposa Carol (Michelle Monaghan). Perto do final da corrida, na linha de chegada, uma explosão é vista em um lugar e minutos depois em outro. Sem saber o que houve direito, Tommy e toda a força policial, FBI e Segurança nacional também, tentam proteger a multidão e partem em busca dos responsáveis, os irmãos Tsarnaev, em uma caçada pelas ruas de Boston que durará dias.

Peter Berg, que trabalhara com Wahlberg nos seus dois últimos trabalhos no cinema: Horizonte Profundo: Desastre no Golfo e O Grande Herói, consegue passar para o público muitas visões e reações desse que foi o maior ataque em solo norte americano após o 11 de setembro. Conseguimos sentir toda a dor e o sofrimento dos que estavam presentes nesse dia, sejam autoridades, políticos, moradores de Boston. O filme se tornar um thriller investigativo com a chegada do FBI, representado pelo agente especial Richard DesLauriers responsável por coordenar a caçada aos terroristas. E mesmo sem ir muito a fundo nas explicações que levaram os irmãos Tsarnaev a cometer esse ato terrível, o passo a passo deles após o atentado é bastante detalhado, reforçado pelos depoimentos de personagens importantes que estiveram contato com eles nesses dias.


Em seu desfecho, O Dia do Patriota apresenta relatos dos personagens que vemos no longa na vida real. As vítimas, as autoridades, os policiais em breves palavras resumem o que esse dia significou em suas vidas. O longa estreia em maio nos cinemas brasileiros.

sábado, 25 de março de 2017

Crítica do filme: 'Paterson'

0 Postagens cinéfilas
Não é a altura, nem o peso, nem os pés grandes que tornam uma pessoa grande, é a sua sensibilidade sem tamanho. Depois de um hiato de três anos desde seu último trabalho, o excelente Amantes Eternos (2013), o veterano cineasta norte-americano Jim Jarmusch volta às telonas com o sensível longa Paterson. O filme, grande sucesso de crítica e público pelos lugares onde já fora exibido, como em Cannes ano passado, é uma grande jornada emocional com recheios poéticos onde atravessamos e somos testemunhas de uma alma quase solitária que busca em seu rotineiro cotidiano, sem grandes eventos, formas lindas de ver a tão pacata vida.

Na trama, com cortes que vão se segunda a segunda, conhecemos Paterson (Adam Driver), um simpático e tímido motorista de ônibus que mora na cidade onde nasceu, Paterson (sim, o nome da cidade também é Paterson), onde vive uma vida simples com sua esposa Laura (Golshifteh Farahani). O protagonista tem um hobby que é escrever poesias todos os dias, geralmente com idéias que chegam para ele pelos papos e personagens diferentes que circulam sua vida constantemente, entre uma viagem e outra.

Ainda não teve esse ano personagem tão amável quanto esse motorista que conquista todos nós por sua sensibilidade sem tamanho. Interpretado com grande maestria pelo ótimo ator californiano Adam Driver (Star Wars: O Despertar da Força), Paterson, é especial, bom amigo, um homem correto de alma sensível.  Expressa seus sentimentos através das palavras, mesmo essas não tendo som, é escutado de alguma forma pelo universo. Somos testemunhas ao longo das quase duas horas de projeção de encontros peculiares com personagens fascinantes, vendo as reações dele quando algo que estava em seu particular ganhar forma de certa maneira com situações e pessoas. Seu cotidiano é pacato, quase silencioso, e mesmo assim Paterson transforma sua vida em um lindo livro cheio de emoções e pensamentos que vão do amor às grandes forças da natureza.

Sua relação com a esposa, bastante explorada pelo roteiro, é causadora de pequenos momentos cômicos – muito por conta da excentricidade dela; seja nas pinturas preto e branco e circulares dos vestidos, das cortinas, das almofadas, seja nos dois sonhos de ser empreendedora no mercado de cupcakes e ser uma cantora country de sucesso começando com um violão (das cores que gosta) que gastou centenas de dólares comprando pela internet. A relação dos dois possui muito amor e compreensão, Paterson demonstra, às vezes, não gostar de uma coisa ou outra mas sempre elegante e carinhoso busca as melhores das palavras para encantar seu amor. Os dois vivem juntos com um lindo cachorrinho mas levada pra caramba que apronta talvez o mais terrível dos absurdos para uma alma tão sensível como a do motorista.

Paterson chega aos cinemas brasileiros no próximo mês de abril. Mais um presente de Jarmusch para todos que amam as delicadezas que encontramos na nossa forma de amar a vida. Afinal, como dizia o eterno poeta português Fernando Pessoa, o poeta é um fingidor, finge tão completamente, que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente.


Crítica do filme: 'O Filho de Joseph'

0 Postagens cinéfilas
A maternidade é um fato, a paternidade é uma incógnita. Explorado o universo das artes, cortes de arcos citando passagens bíblicas e um humor para lá de peculiar o experiente cineasta nova iorquino Eugène Green volta às telonas brasileiras após o ótimo La Sapienza, dessa vez falando sobre a paternidade e todos os seus caminhos. Ao longo de quase duas horas de projeção, com direito a curtas aulas sobre artes e ampliando nossa visão sobre a cultura, Green volta a todo vapor com mais esse belo trabalho.

Na trama, conhecemos o tímido adolescente Vincent (Victor Ezenfis) que colocou em sua cabeça que quer conhecer o pai. Vivendo com sua mãe Marie (Natacha Régnier), uma enfermeira que trabalha meio período, Vincent embarca uma jornada bastante peculiar em busca do paradeiro de seu pai. Nessa caminhada acaba encontrando por acaso o desiludido Joseph (Fabrizio Rongione), que por acaso é o irmão de seu verdadeiro pai, assim começa uma amizade bastante paternal.

A cultura, a bíblia, a alta sociedade, Eugene Green e sua visão peculiar do planeta dão tons de filme nonsense a essa interessante fita. A trama inicial se transforma em grandes ensinamentos para o jovem protagonista que se desenvolve e se constrói através dos poderosos diálogos com Joseph que bem poderia ser seu pai, mas não é. A questão da decepção acerca de seu verdadeiro pai, um editor metido, machista e egocêntrico interpretado pelo ótimo ator Mathieu Amalric, é aliada a chegada de Joseph à trama. Essa substituição no universo de Vincent o transforma em uma pessoa mais tranqüila acerca do assunto da paternidade.


Nos arcos inicias, Green busca mostrar o cotidiano de Vincent, seja com os estranhos amigos que estão em sua rotineira vida, seja com as dificuldades de expressar seus sentimentos à sua mãe. O roteiro como um todo é bastante interessante, se transforma em um recorte em forma de analogia com muitas histórias da vida real mesmo com o método particular ‘Eugene Green’ de criar uma obra na telona.

Crítica do filme: 'Logan'

0 Postagens cinéfilas
A adversidade é um trampolim para a maturidade. Dirigido pelo cineasta nova iorquino James Mangold (Johnny & June, Garota, Interrompida), um dos filmes mais aguardados do ano, enfim, chegou aos cinemas de todo o mundo e mostra como um desfecho de um icônico personagem, antes dos quadrinhos e agora das telonas, pode ser muito marcante. Logan é o capítulo final da surpreendente saga de Wolverine – incrível ser rabugento mutante oriundo dos X-Men – e sua eterna busca por redenção. Hugh Jackman, encarando pela sétima vez o mesmo personagem nos cinemas, faz de tudo para deixar sua marca, usando e abusando de sua versátil habilidade como ator. Grande atuação.

Na trama, somos jogados para alguns anos à frente onde os mutantes foram quase instintos da Terra, após um acontecimento pouco explorado nesse filme mas que envolve o grande mentor dos X-Men, Charles Xavier (Patrick Stewart). Assim, Logan/Wolverine (Hugh Jackman) vive afastado de grandes centros, mais precisamente próximo à fronteira com o México, onde trabalha como ‘Uber de Limousines’. Logan ainda mantém contato com o Professor Xavier, na verdade, o protege das altas autoridades deixando-o praticamente enclausurado em um espaço seguro sendo cuidado pelo também mutante Caliban (Stephen Merchant). Certo dia, Logan é procurado por uma enfermeira que diz que precisa que ele salve uma criança chamada Laura (Dafne Keen) que está sendo protegida por ela, e, assim, o eterno Wolverine volta aos campos de batalha dessa vez para lutar contra um bando de mercenários sanguinários.

O roteiro, escrito pelo debutante em longas-metragens David James Kelly e por Michael Green, o mesmo de Lanterna Verde (2011), explora a maturidade do protagonista em uma fase quase sênior onde foi perdida a vontade de viver por conta de todo um passado ligado a guerras e destruições. Wolverine está cansado, sofre por dentro, passa o cotidiano sem ser o protagonista de sua própria história. A única coisa que o mantém em alerta e porque não dizer vivo, é seu comprometimento em proteger seu grande professor e amigo Charles Xavier, esse que na faixa dos 90 anos está com a saúde deveras debilitada e lutando também contra seus poderes e as catástrofes que causou por conta de seu gigantesco poder.

As analogias e referências sobre a maturidade e os ensinamentos da vida vão desde a menção ao clássico da década de 50, dirigida por George Stevens, Os Brutos Também Amam até a forma como o mundo olha para o que foram os heróis, onde eles estão e porquê não podem ter um final feliz sempre. A personagem Laura, carismática e com cenas espetaculares, é o elo com essa parte dramática da história. Vinda de um projeto parecido com o que criara Wolverine anos atrás, com suas garrinhas, a pequena personagem é apaixonante e nos faz emocionar em vários momentos, principalmente no arco final.


Hugh Jackman fez de tudo o que podia para deixar de vez seu nome marcado nesse universo dos heróis que são transportados para as telonas. Assim como Downey Jr é Tony Stark, com certeza, Hugh é Logan. As cenas finais são repleta de tons emocionais, somente um grande ator como esse australiano de 48 anos para nos fazer chorar num desfecho tão emblemático de um personagem marcante.  Logan é fabuloso, um filme maduro com referências maravilhosas para explicar o que muitos não conseguem encontrar: a arte de viver.


terça-feira, 7 de março de 2017

Crítica do filme: 'Para Sempre' (Another Forever)

0 Postagens cinéfilas
A vida é a perda lenta de tudo o que amamos. Falando sobre os conflitos da dor e da perda, o cineasta Juan Zapata percorre os caminhos da alma para falar sobre uma mulher que tem seu mundo devastado quando o grande amor vai embora. O Cinema tem essa magia de se tele transportar, da alma para a tela. E o caminho inverso é o mesmo. Para Sempre cumpre muito bem sua investigação com leveza e objetividade ao longos dos curtinhos 71 minutos de projeção. A fotografia e a trilha sonora também merecem elogios, bons destaques no projeto.

Na trama, conhecemos a brasileira Alice (Daniela Escobar) uma mulher que vive amargurada após um trauma recente ter consumido sua vida e memórias ao lado de seu grande amor. Ao longo dos curtos minutos de projeção vamos vendo como a protagonista lida com essa dor profunda e suas novas descobertas que chegam para tentar dar uma luz nos seus sentimentos vitais.  

A dor da perda e a necessidade de conseguir seguir em frente. Através do olhar investigativo de Zapata sobre a alma, suas raízes e a dor da perda vamos sendo envolvidos nesse pequeno conto de um cotidiano sempre em conflito. A protagonista se descontrói e novamente se constrói tendo nossos olhos atentos como testemunha. A sensibilidade como o tema é tratado tem diversas camadas profundas e fazemos paralelos com lembranças de nossa vida no mundo real.


Em breve em algumas salas de cinema de todo o Brasil, Para Sempre (Another Forever) poderia muito bem ser um episódio de um seriado sobre a forte protagonista. Esse recorte em forma de película deixa um gostinho de quero mais.


 
Copyright © Guia do Cinéfilo | Theme by BloggerThemes & simplywp | Sponsored by BB Blogging