segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Crítica do filme: 'Kollektor'

Não há maior vingança do que o esquecimento. Em seu primeiro trabalho como diretor de longas metragens, o cineasta russo Aleksey Krasovskiy, que também escreve o roteiro, apresenta uma história envolvente, de curtos 74 minutos, onde assistimos atentamente um plano mirabolante de vingança. Com apenas um personagem dando as caras, o protagonista interpretado pelo excelente ator Konstantin Khabenskiy, reunimos aos poucos as pontas soltas desse quebra cabeça cheio de opções para seu desfecho.

Na trama, ambientada nos dias atuais, conhecemos Arthur (Konstantin Khabenskiy), um funcionário misterioso de uma empresa de cobranças que possui um alto salário e consegue superar muitos desafios dessa profissão que escolheu ganhando fortunas para que o paga. Em uma noite, no alto de um edifício comercial, onde fica localizado o escritório da empresa, Arthur recebe um telefonema repleto de suspense onde uma mulher diz que postou um vídeo comprometedor dele na internet. Sem ligar muito para a ligação, acaba sendo avisado por outras ligações sobre a existência da gravação e assim precisa correr contra o tempo para provar que o vídeo é uma armação e acaba sabendo mais sobre a voz do outro lado da linha.

Uma noite cheia de reviravoltas e uma crise existencial profunda são o plano de fundo de uma situação incomum que vive o protagonista, que passa horas trancado em um escritório localizado em uma grande cidade russa buscando uma solução para uma exposição de um vídeo seu polêmico postado na internet. Podia ser maçante, sonolento ou desinteressante, mas não é o que acontece.Os méritos são todos de Konstantin Khabenskiy, em grande atuação, prende a atenção do espectador com as multifacetas que transforma seu personagem. É incrível a habilidade na caracterização de chegarmos a um ponto de não sabermos se torcemos por ele ou se ele merece punição pelo que fez ou não.

O roteiro, assinado pelo próprio diretor, consegue sua força por conta da atuação de Khabenskiy. A cada nova ligação que o protagonista recebe mas uma peça se junta ao tabuleiro e assim vamos passando um raio-x na vida e personalidade desse grande personagem. Kollektor é dinâmico, intrigante e surpreendente, um dos ótimos desconhecidos filmes que a Rússia apresentou ao mundo nesses últimos meses.

domingo, 15 de outubro de 2017

Crítica do filme: 'A Babá'

O que fazer quando sua paixão se torna um pesadelo? Estreou nesses últimos dias no Netflix, o surpreendente A Babá, filme com ar de trash recheado de piadas muito engraçadas e situações inusitadas que deixam o espectador com um leque de emoções instantâneas, em cinco segundos você ta tenso, mais cinco pra frente você ta rindo de doer a barriga. Dirigido pelo experiente cineasta norte americano McG (Guerra é Guerra! e O Exterminador do Futuro: A Salvação), o projeto já ganhou inúmeros elogios nessas poucas horas que já está no famoso canal de streaming.

Na trama, conhecemos o jovem Cole (Judah Lewis), um estudante de 11 anos que está passando por uma fase difícil, sendo vítima de bullying por outros jovens de sua idade. Sua única distração é quando está com Bee (Samara Weaving), sua linda babá, pessoa que o entende e juntos se divertem bastante. Certo dia, após conversar com sua amiga de colégio Melanie (Emily Alyn Lind), resolve ficar acordado na madrugada quando Bee está sozinho em sua casa tomando conta dele. A partir daí, os piores pesadelos de Cole começam quando descobre que Bee, na verdade, é a líder de um grupo que usa sua casa para sacrifícios sangrentos.

O filme não tem compromisso com a normalidade, nem com as regras da física. Usa e abusa de situações peculiares usando o absurdo a seu favor para fazer rir. As críticas sociais não deixam de fazer parte, como por exemplo, uma das personagens que está preocupada com o corpo em meio ao caos de uma determinada situação, o bullying é o assunto mais explorado onde o personagem principal embarca em situações constrangedoras. O que fica na superfície é a relação de Cole com seus pais, mesmo eles sendo meros coadjuvantes, ajudam apenas a montar futuros arcos como a ótima cena do explosivo embaixo da casa.

A Babá é um ótimo divertimento, em seus curtos 85 minutos transformam a experiência em assistir a ele em um liquidificador de emoções. O projeto cumpre seu objetivo: o de ser um bom entretenimento.


sábado, 14 de outubro de 2017

Crítica do filme: 'Fé de Etarras'

Quando não há fé, não a nada. Produzido pela sensação da tecnologia via streaming Netflix, Fé de Etarras é uma comédia afiada de humor negro sobre um grupo de militantes, suas dúvidas e desejos por uma nova missão ao mesmo tempo que a Espanha joga a Copa do mundo de futebol da África do Sul. Dirigido pelo cineasta espanhol Borja Cobeaga o filme tem cenas hilárias e várias analogias com diversas situações que a Espanha viveu ao longo de seu tempo na história. Na pele do protagonista, o grande Javier Camara (Truman, Viver é Fácil com os Olhos Fechados, Fale com ela, etc...) que mais uma vez se torna peça fundamental de um filme despretencioso mas que cumpre seu objetivo.

Na trama, conhecemos Martin (Javier Cámara), um militante de um grupo de terroristas bascos que anos após ser o único a fugir pela janela de um dos esconderijos que estava cercado pela polícia, precisa se para uma nova missão com um novo grupo de pessoas mais jovens que pensam muito diferente dele. Ao longo do tempo juntos, aguardam uma sinalização do chefe do grupo terrorista que fazem parte e precisam se virar passar o tempo e acreditar nas suas próprias verdades sobre o que são.

Um roteiro, voltado para a comédia, apresenta personagens completamente desajustados e com pensamentos distintos sobre o que fazem e o porquê fazem. O conflito gerado chega por conta da ansiedade de um telefonema e em determinadas situações que acabam se metendo para esconder o disfarce, como serem pedreiros em uma obra de um dos apartamentos do prédio onde estão e acabarem ganhando dinheiro com isso. É um dos filmes espanhóis mais Woody Allen dos últimos tempos.

Os atores em cena desempenham bem seus papéis, quase um grande teatro onde o improviso toma conta do set. Não há uma mensagem específica que o filme mostra, mesmo falando sobre terrorismo (o que sempre é uma polêmica), o objetivo principal é detalhar situações engraçadas em meio ao caos dos pensamentos trágicos imersos em um passado que já se foi.


Crítica do filme: 'Long Story Short'

A felicidade, suas portas e barreiras. Escrito e dirigido pela cineasta May el-Toukhy, Long Story Short explora o universo da amizade e das desilusões do ser humano através de personagens carismáticos e repletos de problemas em seus cotidianos. Dividido em arcos, ou como preferir, capítulos, que nos situam nos reencontros desse grupo de amigos, vemos as evoluções e felicidades, tristezas e alegrias desses desbravadores do viver. O roteiro é detalhista, explora o emocional dos personagens através de como esses agem em relação aos seus obstáculos.

 Na trama, conhecemos um grupo de amigos formado, entre outros, por Ellen (Mille Lehfeldt), Rolf (Peter Gantzler), Anette (Trine Dyrholm), Maya (Danica Curcic) e Max (Jens Albinus) que se conhecem faz tempo, seja alguns sendo familiares outros amigos de longa data. A cada reunião da turma, seja no ano novo, em um casamento, em uma festa surpresa sem aniversariante, no verão, em um jubileu, cada um dos personagens está passando por fases diferentes, um deles o primeiro casamento com ao que parece a mulher de sua vida, um casal de lésbicas pretendem adotar o primeiro filho, um marido que é praticamente rejeitado por sua esposa, uma das amigas é amante de um dos amigos. Ao longo do tempo vamos percebendo relativas mudanças nessas vidas, sempre com o desejo de dias melhores.

O roteiro é uma delícia, alterna comédia e drama em altas doses de emoção. O entrosamento do elenco também é algo a se destacar, nos sentimos próximos de cada um dos personagens. A cada novo reencontro, muita coisa muda na vida dos personagens e vamos descobrindo as atualizações através de ótimos diálogos e algumas situações constrangedoras de reencontros após alguma situação ter acontecido. Como são amigos, os personagens meio que se revezam em confissão e confessionário e assim vão tentar encontrar as peças do quebra cabeça emocional perdido no tabuleiro da vida real.

Long Story Short é a representação do ótimo cinema dinamarquês, que gosta de brincar com situações familiares, navega nas relações de amizade e deixa os personagens cheios de alternativas no processo as vezes complicado do sentir a emoção.


Crítica do filme: 'Duas de Mim'

Marcando a estreia de Cininha de Paula na direção de um longa metragem, Duas de Mim tenta explorar as jornadas dos sonhos e desejos impossíveis passando um raio-x na vida de uma mulher batalhadora que sustenta sua casa praticamente sozinha. A história é puxada para a comédia, onde somos testemunhas de situações exageradas e diálogos pouco inspirados. No papel da protagonista, a conhecida de programas de humor de televisão Thalita Carauta que tem a difícil tarefa de criar o sorriso no rosto do espectador em um duplo papel de si mesma mas com personalidades diferentes. O projeto falha em um roteiro limitado, deixando o esforço de Carauta ser a única luz desse filme sem pé nem cabeça.

Na trama, conhecemos a batalhadora Suryellen (Thalita Carauta), uma mulher com personalidade que acorda cedo para preparar quentinhas que vende em bairros residenciais e depois ainda vai para o outro trabalho em um restaurante chique comandado pela chef e arrogante Valentina (Alessandra Maestrini). A vida d aprotagonista muda radicalmente quando após sofrer dias complicados, encontra em uma rua deserta uma vendedora de bolos misteriosa que a faz provar um bolo que tem o poder de realizar desejos. Assim, quase sem querer, Suryellen ganha uma cópia/clone/si mesmo com outra personalidade, que no começo serve como uma ajuda a cumprir todos os objetivos de seu dia mas que após um tempo vira um grande problema na vida dela.

A fábula não encaixa. Tudo é muito repleto de clichês, usando uma fórmula de riso fácil mas sem um pingo de carisma dos personagens. O desenvolvimento da protagonista não passa da superfície, tudo é muito fácil, coadjuvantes sem qualquer ligação com a trama, diálogos pra lá de tediantes. A dupla jornada da personagem principal, com duas personalidades é uma das coisas mais chatas vistas no cinema brasileiro nos últimos anos. Para completar, subtramas rasteiras, esteriotipadas, como a do ex-marido, representado por Marcio Garcia, e a de seu amigo/namoradinho Chicão, esse último interpretado pelo cantor Latino.


Mesmo com todo o esforço de Carauta para tentar divertir o público, um filme pouco inspirado em seu roteiro não consegue segurar a atenção nem por vinte minutos. Se tivesse o Framboesa de Ouro aqui no Brasil, esse filme seria um dos campeões de indicações.

Crítica do filme: 'A Taxi Driver'

Bastará nunca sermos injustos para estarmos sempre inocentes? Dirigido pelo sul coreano Hun Jang, A Taxi Driver é antes de tudo uma grande aula de história em forma de cinema, onde descobrimos mais detalhes de um grande massacre ocorrido na Coreia do Sul, o papel da imprensa, e a relação de uma população corajosa que lutava por melhores condições dentro de um regime ditatorial que escondia do mundo as verdades que só as pessoas daquela região sabiam. Mesclando cenas intensas de violência com uma delicadeza e um certo sarcasmo, A Taxi Driver nos leva em uma jornada fabulosa sobre a força do ser humano e o autoconhecimento de seu papel como cidadão.

Indicado da Coreia do Sul para concorrer a uma das cinco vagas de Melhor filme Estrangeiro no próximo Oscar, A Taxi Driver conta a história de um pão duro mas carismático motorista chamado Kim (Kang-ho Song) que enfrenta as dificuldades do dia a dia como taxista na maior cidade da Coreia do Sul, Seul. Certo dia, após um almoço com seu amigo vizinho e também taxista, escuta um papo que um jornalista estrangeiro está pagando uma bela quantia em dinheiro para que alguém o leve de Seul até a cidade de Gwangju. Assim, Kim usa de suas habilidades para conseguir ser o motorista dessa corrida, conhecendo o jornalista alemão Peter (Thomas Kretschmann). Juntos vão viver dias intensos e mostrarão ao mundo um dos maiores massacres que o mundo oriental já viu em toda sua história.

Os primeiros arcos escondem um pouco a intensidade dos atos futuros. O roteiro foca na visão do taxista, detalha muito bem suas principais características, sua relação de carinho com a filha e explora a superfície da perda da esposa. De origem humilde, não tem ideia dos horrores sobre um conflito entre a população e o exército está acontecendo em uma cidade relativamente próxima de Seul. Tudo muda em sua vida quando conhece o jornalista Peter, uma relação de amizade vai sendo criada aos poucos unida pela força que precisam ter para sobreviver a caçada que é imposta por autoridades a todos que queiram divulgar as verdades que acontecem nas ruas de Gwangju. Kim vai descobrindo seu papel na história aos poucos, quando é confrontado com as verdades cruéis em sua frente, toma partido da informação se tornando um coadjuvante de grande valia para a cobertura de Peter.


O papel da imprensa, os limites e suas facetas são explorados de maneira objetiva, mostrando a censura do governo coreano da época ao que de fato ocorria pelas ruas sangrentas de  Gwangju, levando as televisões locais mentiras após mentiras sobre as origens do conflito. A câmera de Peter é uma das poucas chances daquela população que praticamente foi trancafiada em sua região, cercada pelo exército que não deixavam ninguém entrar ou sair da cidade. Já no desfecho, vemos relatos do Peter da vida real, já que essa obra é baseada em fatos reais. A emoção toma conta quando ouvimos Peter falar sobre seu amigo Kim, um homem simples e corajoso que ajudou o mundo a conhecer as verdades de uma ditadura.


sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Crítica do filme: 'Blade Runner 2049'

Ainda dentro do universo criado pelo visionário Philip K. Dick, chegou aos cinemas nesse segundo semestre o aguardado novo filme da franquia Blade Runner. Dessa vez, dirigido pelo canadense Denis Villeneuve (de Incêndios, A Chegada e outros belos filmes), avançamos cerca de três décadas em relação a linha do tempo contínua em relação ao primeiro longa metragem e reencontramos um grande e velho personagem que cumpre com louvor, dessa vez, seu papel de coadjuvante nos intensos 167 minutos de projeção. Um dos grandes méritos do projeto é conseguir acordar uma história emblemática de décadas atrás e trazer novos elementos que se encaixaram como uma luva no universo futurístico criado. Tudo funciona muito bem na bela condução de Villeneuve que se consagra como um dos grandes cineastas dos nossos tempos.

Com partes das filmagens realizada na bela Budapeste, Blade Runner 2049, que com certeza será um dos líderes dos rankings de maior bilheteria mundial do ano, nos coloca anos a frente no universo do primeiro filme, Blade Runner - O Caçador de Androides (1982), onde conhecemos o policial K (Ryan Gosling) que está passando por uma fase confusa que começa com uma investigação misteriosa que o leva a ter dúvidas sobre sua própria origem. A fim de dar um basta nesse mistério, suas pesquisas o levam a um ex blade runner, Rick Deckard (Harrison Ford) que vive isolado perto de San Diego, uma área devastada e esquecida onde vivem isolados querendo uma revolução. Assim, o passado e o presente se unem em busca de seus objetivos.

O californiano Hampton Fancher (roteirista do primeiro filme) e o nova iorquino Michael Green (dono do roteiro de Logan e o futuro remake Assassinato no Expresso do Oriente) dão um show no complexo e impecável roteiro de Blade Runner 2049. Repleto de surpresas, explorando também os sentidos mais íntimos do protagonista, sua sexualidade e desejos, o filme navega em um ambiente neo-noir em um mundo completamente diferente do que vemos hoje mas nem tão distante assim. As cenas de ação são espetaculares, nossos olhos ficam atentos a cada movimento e mal sentimos as quase três horas de filme passarem.

Visualmente é impactante, belíssimo, mas não é só isso que deixa nossos queixos caídos. O foco na humanidade deteriorada, o uso da tecnologia, as razões e emoções de experimentos para igualdade de criações e criaturas, questões de pais e filhos, os mistérios e dramas sobre a origem do novo protagonista. São tantos ingredientes impactantes que quando são jogados no liquidificador criativo do roteiro se torna algo visionário, deixando a mesma impressão do inesquecível primeiro filme da franquia.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Crítica do filme: 'Terra Selvagem'

Que nem todas as dores do mundo me façam desistir. Em seu segundo trabalho como diretor, o norte americano Taylor Sheridan (roteirista do ótimo Sicario: Terra de Ninguém e indicado ao Oscar do ano passado, também como roteirista, pelo excelente A Qualquer Custo) volta as telonas com um suspense de tons altos de drama, em meio a um distante e frio território indígena, explorando os caminhos tumultuados de uma investigação de um violento assassinato. Com uma direção primorosa, o filme vai envolvendo o espectador a cada nova descoberta sobre o assassinato. Em um ambiente de frio intenso e pessoas com recursos limitados, a selvageria ganha tons de drama, seja pelo passado traumático do protagonista, seja pelas fortes evidências que vão aparecendo a cada nova descoberta.

Na trama, conhecemos Cory (Jeremy Renner) um homem solitário com um passado repleto de tristeza que trabalha como caçador no Estado de Wyoming, mais precisamente em uma reserva indígena de frio intenso. Durante o inverso, com temperaturas abaixo de zero e neve para todos os lados, o corpo de uma adolescente é encontrada por Cory em uma região isolada. Conhecendo a adolescente, de quem é amigo da família, Cory busca ajudar as investigações assumida pelo FBI e designada pela agente Jane Banner (Elizabeth Olsen). Conforme vão descobrindo mais pistas sobre o ocorrido, a dupla enfrentará diversas adversidades para conhecer a verdade.

O roteiro explora a questão das terras indígenas, suas regras, sua solidão, seus dramas. Na linha de comando das ações, um homem que fora casado com uma descendente indígena que vive o luto da morte da filha três anos. Como é ele que conhece como poucos a região, acaba somando forças quando o FBI chega à cidade, e, assim, descobrindo melhor mais sobre personagens daquela região, que não é nada muito diferente das cidades grandes. A cada nova sequência percebemos mais sobre a personalidade dura, fria mas companheira e justa do grande personagem principal. Um trabalho impecável de Jeremy Renner, não perde a força de seu personagem em nenhum momento. Geralmente coadjuvante em alguns blockbusters, mostra a todos, de vez, que é um dos grandes atores de sua geração.


Vencedor do prêmio de melhor diretor da Mostra Um Certo Olhar (2017), uma premiação paralela dentro da programação do Festival de Cannes, dedicada a filmes com linguagem mais experimental, Terra Selvagem deve ter algumas indicações ao próximo Oscar, principalmente para Sheridan e Renner.


segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Crítica do filme: 'Prevenge'

Impossível entendermos determinadas loucuras. Escrito, dirigido e protagonizado pela artista britânica Alice Lowe (do ótimo Sightseers), Prevenge, com sessões no Festival do Rio desse ano, é um filme pra lá de maluco que tenta agir pela curiosidade em relação a mente conturbada de uma grávida que sofreu um forte trauma perto da data em que descobriu a gravidez. O foco do roteiro é essa questão da maternidade, de forma bastante inusitada, adicionando o elemento psicológico conturbado o filme se projeta a uma grande matança provocado pela protagonista em atos sobre pessoas diferentes que cercam mesmo distante seu passado recente de alguma forma.

Na trama, conhecemos a complicada Ruth (Alice Lowe) que está grávida de quase nove meses. Até aí tudo bem, senão fosse o fato dela iniciar uma verdadeira carnificina orientada pela filha que ainda está em sua barriga. Exibidos nos festivais de Veneza e Toronto em 2016, Prevenge chega a ser intrigante em alguns momentos, e sonolento em outros. Explora um assunto complicado de maneira quase debochada.

O simples fato de a mãe receber instruções da sua filha que ainda nem nasceu já gera um grande estranhamento do lado de cá da telona. É uma drama complexo com pitadas de humor negro que nos leva em uma trajetória de sangue ao mesmo tempo que tentamos de alguma forma entender o que se passa na cabeça da personagem principal. A violência das mortes que acontecem em sequência são oriundos de uma raiva de Ruth em relação a toda uma sociedade que na maneira dela de pensar e agir puniu o pai de sua filha.


​Conforme os arcos vão passando, a trama começa a ter um certo sentido, principalmente em um dos últimos diálogos onde sabemos mais detalhes sobre o pai de sua filha e como estava o relacionamento deles perto da tragédia que aconteceu. Mas as curtas explicações podem ter vindo muito tarde, o sono pode tomar conta da sala de cinema.