15/03/2018

Crítica do filme: 'Maria Madalena'

Uma das figuras bíblicas mais misteriosas de todos os tempos é apresentada ao público dentro de uma forte narrativa, com argumentos bem embasados, delicadas e bem produzidas cenas, com legendas de explicações antes e no final da projeção, batendo o martelo para mais uma versão sobre Maria Madalena. A responsabilidade da direção fica a cargo do cineasta australiano Garth Davis (do melodramático Lion: Uma Jornada Para Casa) que impõe sua direção e ritmo elevando sequências de emoções mas caindo de repente com momentos de grande sonolência. No papel principal, a jovem mas experiente Rooney Mara, em um papel muito diferente da Lisbeth Salander de Fincher.

Na trama, escrita por Helen Edmundson e Philippa Goslett, conhecemos Maria Madalena (Rooney Mara) uma jovem por volta dos 20 anos que mora em um vilarejo de pescadores chamado Magdala. Maria não vive feliz, e luta contra sua família porque não quer se casar. Beirando a depressão e perdendo a vontade de viver, fica sabendo de pregações de um homem chamado Jesus de Nazaré (Joaquin Phoenix) e aos poucos vai se aproximando dele até virar uma das suas mais próximas discípulas.

O filme passa longe de algumas polêmicas, se aproximando mais no foco da protagonista ser uma pessoa muito importante na trajetória de Jesus pela Terra, já na vida adulta. Ao longo dos cansativos 120 minutos de projeção, percebemos um foco no feminismo, em uma história que foi escrita para se tornar atemporal. O Jesus interpretado pelo excelente Joaquin Phoenix quase passa desapercebido, dá margem para os coadjuvantes também brilharem, fato que infelizmente não acontece. O ritmo lento do projeto se entrelaça com momentos marcantes como a oração do pai nosso, que de longe é a melhor cena do filme.

Citada apenas dezessete vezes na bíblia, Maria Madalena foi uma figura bastante importante na trajetória de Jesus pela Terra, já na vida adulta. Para quem está curioso, o filme não consegue preencher muitos mistérios relatados por muitos de tempos em tempos. Como filme, funciona até certo momento mas os minutos vão se tornando cansativos longe dos clímaxs que possui.